Uma gota de cada vez: A importância do aleitamento materno para os bebês de UTIN
18 de agosto de 2026No Agosto Dourado, mãe de prematuro extremo conta como o leite materno se tornou parte importante da recuperação do filho durante 99 dias de internação
Cristiane Rosa, Victor Ferreira com o pequeno Benjamin no colo, Sara Campos e Sara Gomes – Foto: Divulgação
“Quando você tem um filho muito prematuro, seu corpo ainda não está preparado. Eu apertava o seio e não saía nada. No começo, ele precisava de um ml de leite por dia e eu ainda não conseguia tirar. Eram gotinhas.” Foi assim, gota a gota, que Sara Campos, 34 anos, começou a alimentar o filho Benjamin, nascido com apenas 25 semanas de gestação e 660 gramas. Prematuro extremo, ele veio ao mundo em de dezembro e enfrentou 99 dias de internação no Hospital Vitória Apart. Em meio à rotina da UTI Neonatal, cada gota se tornou uma forma de participar ativamente da recuperação do filho.
“As médicas diziam que o bebê prematuro não tinha nenhuma imunidade e que o leite passava isso para ele. Então eu sabia que não importava a quantidade que conseguia tirar. Eu precisava manter aquele fio de leite, porque cada gotinha que ele tomava era importante para a imunidade dele”, lembra.
A persistência da mãe encontra respaldo na ciência. Para os prematuros, o leite materno é ainda mais importante porque, além de fornecer nutrientes, ajuda a proteger um organismo que ainda não teve tempo de amadurecer completamente.
“O leite materno é o leite mais completo, por isso falamos que ele é o padrão-ouro. Para as crianças na UTI, ele é ainda mais importante porque os prematuros têm uma imaturidade no intestino que faz com que sejam mais propensos a doenças graves. Além de nutrir, o leite materno oferece proteções imunológicas que a fórmula não é capaz de oferecer”, explica Sara Gomes, neonatologista do Hospital Vitória Apart.
Cada gota importa
Na UTI Neonatal e Pediátrica do Hospital Vitória Apart, o incentivo ao aleitamento começa logo na internação. As mães recebem orientação para iniciar a ordenha o quanto antes, inclusive à beira leito. Assim que conseguem retirar as primeiras gotas, o leite pode ser oferecido ao bebê. A equipe acompanha todo o processo, orientando a ordenha, a coleta, o armazenamento e ajudando a mãe a manter a produção mesmo diante dos desafios físicos e emocionais do período.
“A gente precisa estimular, motivar e mostrar para ela que aquele leite é importante. Ajudamos na ordenha, na coleta e esse leitinho é ofertado para o bebê”, explica Cristiane Rosa, Coordenadora de Enfermagem da UTI Neonatal e Pediátrica do Hospital Vitória Apart.
O hospital trabalha com o leite materno cru, retirado pela própria mãe e utilizado em até 12 horas. “Dessa forma, conseguimos aumentar nosso índice de leite materno e reduzir o uso de fórmula dentro da UTIN. Para o prematuro é um ganho muito grande. A prioridade aqui é o leite materno”, reforça Cristiane.
Esforço que vale a pena
Para Sara, o esforço diário da ordenha ganhou outro significado ao perceber que cada pequena quantidade de leite representava uma forma concreta de cuidar de Benjamin. A rotina exige persistência, mas também traz às mães o sentimento de dever cumprido.
“Não é fácil, tem o cansaço físico e emocional, então é necessária muita resiliência. Mas existe uma recompensa. É saúde que ele está recebendo, é vida, é força. Isso compensa todo o esforço físico e emocional que a gente faz para alimentar o bebê. Olhar aquele bebê que parecia um cisquinho de gente, era do tamanho da mão do meu marido praticamente, e ver a transformação que ele viveu é muito gratificante”, conclui a mãe.
Um mês inteiro dedicado ao acolhimento
Criado para reforçar a importância do aleitamento materno e ampliar a conscientização sobre seus benefícios para mães e bebês, o Agosto Dourado é o mês dedicado à promoção, proteção e apoio à amamentação. No Hospital Vitória Apart, a iniciativa se estende por todo o mês, com encontros semanais para as famílias da UTI Neonatal. A programação reúne Psicologia, Neonatologia, uma especialista em amamentação e Nutrição, abordando os aspectos emocionais, os benefícios do leite materno, sua composição, técnicas de amamentação e coleta. Ao final do mês, mães e pais recebem certificado de Família Apoiadora do Aleitamento Materno.