Thór denuncia institucionalização da tortura na Penitenciária Estadual de Cachoeiro de Itapemirim, no ES
10 de agosto de 2021
Ativista social, Wanderley da Silva Ferreira, o ‘Thór o Pagodeiro do Amor’ – Foto: Divulgação
O ativista social, Wanderley da Silva Ferreira, o ‘Thór o Pagodeiro do Amor’, estará acompanhando um grupo de familiares de presos – mães, esposas, irmãs, pais e visitantes de reeducandos – da Penitenciária Estadual de Cachoeiro de Itapemirim, do Sul do Espírito Santo, em audiência pública com autoridades governamentais do Estado do Espírito Santo, quando serão apresentadas uma série de denúncias por maus tratos, torturas físicas e mentais, e perseguições contra todos os internos daquela unidade prisional. As denúncias são contra as equipes de plantões e o diretor-geral, que vem propagando o terror e o ódio contra todos os internos naquela Penitenciária.
Durante a audiência serão também reivindicadas pelos familiares dos presos, melhores condições de vida e respeito com os detentos e seus familiares, dentro daquela unidade prisional.
O ativista ‘Thór o Pagodeiro do Amor’, classificou aquela unidade prisional como um campo de concentração moderno para a prática de atrocidades contra à dignidade humana dos sentenciados da justiça capixaba. “O Estado não tem a prerrogativa de punir um crime cometendo outro crime”, frisou.
Segundo mães, esposas, irmãs, pais e visitantes, o diretor-geral da Penitenciária de Cachoeiro de Itapemirim, Marcio Felipe Rocha da Silva, é um homem totalmente fora do equilíbrio emocional e vem agindo com extrema violência no trato para com todas as galerias de presos, e segundo Thór, o diretor-geral chegou a agredir um preso com uma “coronhada” de arma de fogo, abrindo uma ferida na cabeça do detento.
O ‘Pagodeiro’ relata ainda que as denúncias são gravíssimas e precisam de uma investigação sumária por parte da Comissão de Direitos Humanos da OAB-ES, SEJUS, Ministério Público do Estado do Espírito Santo e Governo do Estado.
Penitenciária Estadual de Cachoeiro de Itapemirim, no Sul do Espírito Santo – Foto: Divulgação
Maus tratos
“É inadmissível que um diretor-geral, que tem a prerrogativa de obter à ressocialização do condenado da Justiça capixaba esteja liderando e incentivando essas atrocidades dentro de um órgão público estadual. A função de um diretor de unidade prisional é a de manter a ordem e a integridade física e mental de seus apenados e o Estado não pode manter um servidor despreparado no cargo de direção de uma unidade prisional”, salienta Thór.
Ainda segundo denúncias de familiares, os presos daquela unidade estão sem os kits de higiene, kits de vestuário e kits contra o frio. “A penitenciária não está fornecendo as roupas para este período frio e muitos presos estão vivendo de forma desumana, passando mal durante as noites frias, já que aquela unidade se localiza perto de uma montanha”, disse o ativista.
Segundo o ‘Pagodeiro do Amor’, os reeducandos estão sendo abandonados pela diretoria da unidade que não vem marcando as consultas médicas, e muito menos fornecendo as devidas medicações necessárias aos condenados que sofrem de algum tipo de doença de comorbidades. A alimentação também é de baixa qualidade e apresenta indícios de que está estragada, haja vista que os presos apresentam perda de peso com emagrecimento generalizado, em todas as alas.
Há relatos também que os Inspetores Penitenciários estão agredindo presos, dentro da unidade e na frente das visitas, numa visível falta de respeito aos visitantes. Recentemente um interno foi espancado na frente de vários visitantes e na presença do Body Scam da PRCI.
Humilhações
Foi relatado nas denúncias de que uma Inspetora Penitenciária, de prenome Martine, lotada naquela Regional, vem desacatando senhoras e senhores idosos durante os procedimentos de revistas, humilhando todas as pessoas que se encaminham para o momento da revista. Nas visitas femininas, essa inspetora grita bem alto: Tem alguma mulher menstruada aí????, expondo as esposas, mães e filhas dos internos da PRCI. “Essa mesma inspetora colocou uma idosa na parede e começou a aterrorizá-la com ameaças, utilizando o velho procedimento da Sejus, retirando as roupas das idosas e esposas dos presos, o que caracteriza um abuso de autoridade já que essa prática foi abolida do procedimento da Sejus através de uma portaria”, disse Thór.
Ala interna da Penitenciária Estadual de Cachoeiro de Itapemirim – Foto: Divulgação
“A tortura está institucionalizada na PRCI em pleno século 21. As visitas estão aterrorizadas, e o Ministério Público do Estado do Espírito Santo deve agir imediatamente após absorver essas denúncias de extrema gravidade social”, enfatizou Thór.
“Acredito plenamente que o governador do Espírito Santo, Renato Casagrande, tome providências imediatas para afastar de suas funções o diretor-geral da PRCI e os inspetores torturadores. Creio que ao lado do secretário de estado da Justiça, Dr. Marcelo Paiva de Mello, um defensor público que nunca apoiou o corporativismo no serviço público, o governador Renato Casagrande possa fazer essa intervenção com a máxima urgência”, concluiu o ativista social ‘Thor o Pagodeiro do Amor’.
* Deixamos aqui o espaço aberto para eventual defesa dos citados nesta matéria.
Valedoitaúnas