Taxa de desemprego recua para 2,4% no Espírito Santo e é a 2ª menor do país
13 de março de 2026Estado reduziu 3 mil pessoas na lista de desocupados no 4º trimestre de 2025, tendo a menor taxa de desocupação desde o início da série histórica, em 2012, e o mais baixo índice de informalidade, 37%, desde 2020
Foto: Divulgação/Envato
O mercado de trabalho capixaba encerrou 2025 com um desempenho histórico. A taxa de desocupação no Espírito Santo voltou a recuar no quarto trimestre e atingiu 2,4% da população, o menor patamar desde o início da série histórica, em 2012. Com esse resultado, o estado passou a registrar a segunda menor taxa de desemprego do país, empatado com Mato Grosso do Sul e Mato Grosso e atrás apenas de Santa Catarina.
As análises são do Connect Fecomércio-ES (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Espírito Santo), com base nos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
De acordo com o coordenador do Observatório do Comércio do Connect Fecomércio-ES, André Spalenza, o resultado indica um mercado de trabalho aquecido e próximo do pleno emprego. “Quando a taxa de desemprego se aproxima de níveis muito baixos, as quedas passam a ocorrer de forma mais gradual. Isso mostra que a maior parte das pessoas que busca trabalho consegue se inserir rapidamente no mercado”, explicou.
O estado encerrou o ano com 2,099 milhões de pessoas na força de trabalho, também chamada de População Economicamente Ativa (PEA). Em relação ao terceiro trimestre de 2025, houve aumento de cerca de 5 mil pessoas nesse grupo.
No mesmo período, o contingente de desocupados caiu de 54 mil para 51 mil pessoas, uma redução aproximada de 3 mil pessoas. Parte desse movimento ocorreu pela inserção desses profissionais no mercado de trabalho e também pela saída da força de trabalho por fatores como aposentadoria ou mudança de estado.
A queda se torna ainda mais expressiva quando comparada ao mesmo período de 2024. Em um ano, 33 mil pessoas deixaram a condição de desocupadas, o que representa uma redução de aproximadamente 39%. Se considerado o período desde o auge da pandemia da covid-19, a mudança é ainda mais significativa a taxa de desemprego caiu de 14,2% no terceiro trimestre de 2020 para 2,4% no fim de 2025, uma redução de 11,8 pontos percentuais.
“Os dados mostram a intensidade da recuperação do mercado de trabalho capixaba no período pós-pandemia. O estado apresentou uma trajetória consistente de redução do desemprego ao longo dos últimos anos”, afirmou Spalenza.
O número de pessoas ocupadas também avançou. No quarto trimestre de 2025, o total chegou a 2,048 milhões de trabalhadores, aumento de cerca de 8 mil pessoas em relação ao trimestre anterior.
Informalidade
Esse crescimento foi acompanhado por um avanço na formalização. Cerca de 31 mil pessoas deixaram a informalidade, reduzindo o total de trabalhadores nessa condição para 758 mil. Com isso, a taxa de informalidade caiu de 38,7% para 37%, o menor nível desde o segundo trimestre de 2020 e abaixo da média nacional, estimada em 37,6%.
Para Spalenza, a redução da informalidade é um sinal importante para a economia. “A formalização amplia a segurança jurídica e econômica dos trabalhadores e também melhora o ambiente competitivo entre empresas, além de contribuir para o aumento da arrecadação e da produtividade”, destaca.
A informalidade relacionada à atividade empresarial também apresentou queda. O número de empregadores com CNPJ aumentou 1,4%, enquanto aqueles sem registro empresarial recuaram 9,5%, com cerca de 2 mil pessoas deixando essa condição. Entre os trabalhadores por conta própria, o movimento foi semelhante. O número de autônomos com CNPJ cresceu 13,4%, enquanto o de trabalhadores sem registro caiu 7,6%, o que representa a saída de aproximadamente 28 mil pessoas da informalidade nesse grupo.
Também houve avanço na formalização do trabalho doméstico. O contingente de trabalhadores com carteira assinada cresceu 16,7%, enquanto aqueles sem registro recuaram 4,1%. Embora mais de 70% ainda atuem informalmente, a mudança indica melhora gradual nas condições desse segmento.
Outro movimento relevante foi observado entre os trabalhadores familiares auxiliares, que atuam em atividades econômicas da família sem remuneração. Esse grupo registrou queda de 11,1%, com cerca de 4 mil pessoas a menos nessa condição, o que pode indicar migração para ocupações remuneradas.
Os dados também revelam mudanças na estrutura do emprego no estado. O setor de serviços permanece como o principal empregador, concentrando 49,9% das pessoas ocupadas. O comércio aparece em seguida, com 18,5%. Juntos, esses dois setores respondem por 68,4% dos empregos, o equivalente a cerca de 1,401 milhão de trabalhadores. Na sequência aparecem a agropecuária, com 13,6% da população ocupada, seguida pela indústria, com 10,4%, e pela construção, com 7,5%.
Para Spalenza, o conjunto desses indicadores confirma um cenário favorável para o mercado de trabalho capixaba. “O Espírito Santo combina hoje três fatores importantes desemprego em nível historicamente baixo, crescimento do emprego e redução da informalidade. Esse conjunto fortalece a economia e amplia as oportunidades de renda para a população”, concluiu.