Redemoinho gigante de poeira assusta moradores do interior de São Paulo
24 de agosto de 2021Tempo seco, calor e vento formam condições ideais para surgimento da espiral, afirma meteorologista. Imagens viralizaram nas redes sociais.
Morador de Morro Agudo, SP, flagrou redemoinho gigante de poeira na zona rural – Foto: Redes Sociais
Por causa do tempo seco, do calor e dos ventos, um fenômeno pode ser visto com frequência no fim do inverno na região de Ribeirão Preto – redemoinhos de poeira. É que essas condições são favoráveis à formação da espiral, explica a meteorologista Maria Clara de Oliveira Carneiro Sassaki, do Climatempo.
No domingo (22), no entanto, um redemoinho chamou a atenção de moradores em Morro Agudo (SP) pela dimensão. A poeira que tocava o chão em uma área na zona rural formou uma grande coluna e surpreendeu trabalhadores. Um deles conseguiu registrar a cena e ficou impressionado.
“Se ele passa pelo furgão aqui, nós tava lascado, Jorge. Olha a altura desse trem. Ele veio na nossa direção”, diz o homem ao colega de trabalho. As máquinas próximas chegam a desaparecer, cobertas pela poeira.
O vídeo que viralizou nas redes sociais foi enviado pelo secretário de governo de Morro Agudo, Rogério Chiaroti. Há mais de uma semana, a cidade registra incêndios devastadores por causa da estiagem e precisou decretar calamidade pública para que produtores rurais prejudicados tenham como amenizar os danos.
Sem chuvas, a umidade relativa do ar tem batido índices ruins, o que colabora não só para que as chamas se alastrem por áreas de mato seco, mas também para formação dos redemoinhos.
“Quando o solo está muito quente, o ar logo acima aquece de forma rápida e forma um minicentro de baixa pressão, que faz com que o ar suba em forma de espiral, levando poeira junto e formando o redemoinho”, afirma Maria Clara.
As queimadas, segundo a especialista, também podem favorecer o surgimento, mas não são uma condição necessária.
O que mais chama atenção no vídeo feito pelo trabalhador rural é o diâmetro do redemoinho. Normalmente, eles são vistos com corpo mais fino e se desfazem com facilidade. Mas, segundo Maria Clara, formatos dessa magnitude são mais comuns do que se pensa.
“É normal, sim, acontecerem redemoinhos com essa proporção. Tudo depende da pressão do centro de baixa pressão que se forma com o contraste da temperatura. Quanto menor o valor da pressão, mais rápida é a velocidade do vento no entorno”.
Apesar do susto, os redemoinhos de poeira não oferecem perigo. Mesmo assim, Maria Clara alerta que é melhor manter uma distância segura.
“No geral, eles não trazem risco elevado. A não ser que a velocidade do vento seja suficiente para quebrar galhos e derrubar itens que estejam no alcance do redemoinho. A orientação é ficar longe do vento e da poeira”.
Valedoitaúnas (G1)