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Projeto aponta aumento de produtividade e melhora da qualidade do café com uso de gás natural na secagem

25 de agosto de 2026

Estudo realizado pelo CCCV, ES Gás e JDE Peet’s indicou ganho de qualidade e no rendimento da produção, além de viabilizar a redução na emissão de particulados

Projeto aponta aumento de produtividade e melhora da qualidade do café com uso de gás natural na secagemFoto: Divulgação

A utilização do gás natural na secagem do café pode elevar a produtividade, melhorar a qualidade sensorial da bebida e tornar o processo mais eficiente e sustentável. Os resultados foram comprovados em um projeto de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) realizado pelo Centro de Comércio de Café de Vitória (CCCV) e pela ES Gás, em parceria com a JDE Peet’s.

O estudo foi desenvolvido na Fazenda Chapadão, em Linhares (ES), e avaliou a substituição da lenha pelo gás natural no processo de secagem dos grãos. Ao longo de três meses de testes práticos, mais de 5 mil sacas de café foram monitoradas em diferentes condições operacionais, incluindo faixas de temperatura, consumo energético e desempenho dos grãos. O projeto foi realizado em sandbox regulatório aprovado pela Agência de Regulação de Serviços Públicos do Espírito Santo (ARSP) e contou com investimento aproximado de R$ 1 milhão.

“O Espírito Santo é referência nacional na produção de café e precisa continuar investindo em inovação para ampliar sua competitividade. Este projeto mostra que novas soluções energéticas podem contribuir para aumentar a eficiência da produção, agregar valor ao produto e fortalecer a sustentabilidade da cadeia cafeeira. Os resultados obtidos representam um avanço importante para o setor e demonstram o potencial da integração entre pesquisa, tecnologia e atividade produtiva. Além de elevar a qualidade do café, a iniciativa contribui para preparar a cafeicultura capixaba para um cenário de aumento da produção de conilon nos próximos anos, ajudando a garantir liquidez para esse volume crescente e fortalecendo a credibilidade do produto capixaba para ampliar seu acesso aos mercados de exportação”, afirma Fabrício Tristão, presidente do CCCV.

Entre os principais resultados obtidos está a melhoria da qualidade do café. Nos testes comparativos realizados pela JDE Peet’s, a incidência de notas de fumaça caiu de 27% para apenas 1% quando a secagem foi realizada com gás natural. Além disso, 93% das amostras apresentaram perfil sensorial classificado como "Neutro" ou superior, categoria que representa bebidas limpas, sem contaminação por fumaça e com maior potencial de valorização comercial.

"Os resultados sensoriais observados no projeto demonstram o impacto positivo do controle térmico mais preciso durante a secagem. Além da significativa redução das notas de fumaça, verificamos que 51% das amostras alcançaram classificações superiores, como Neutro+ e Neutro++, indicando uma bebida mais limpa e com características originais mais preservadas. São resultados que reforçam a importância da inovação nos processos pós-colheita para a qualidade final do café. Em um mercado cada vez mais exigente, atributos relacionados à qualidade e à consistência do produto podem ampliar as oportunidades comerciais para o café capixaba e favorecer o acesso a segmentos e mercados internacionais de maior valor agregado", comenta Aristides Tabosa, diretor de Operações de Café Verde da JDE Peet’s.

O projeto também identificou ganhos relevantes de produtividade a partir de testes conduzidos pelo Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes), com gestão da Base27. Um dos principais benefícios do uso do gás natural é a maior precisão no controle da temperatura dos secadores. Durante os testes, foi observada redução das perdas de massa ao longo da secagem, elevando o rendimento médio em aproximadamente 4%, o equivalente a 415 sacas adicionais em uma safra de 10 mil sacas. Para se ter uma ideia, a cotação atual de uma saca no Espírito Santo pode chegar a R$1.000.

Além de aumentar o rendimento, a combustão limpa e o fornecimento contínuo de calor favorecem uma secagem mais homogênea dos grãos, preservando suas características naturais e reduzindo riscos de defeitos que afetam aroma, sabor e valor de mercado.

"Este projeto demonstra, na prática, como o gás natural pode contribuir para aumentar a competitividade do agronegócio capixaba. Hoje, a ES Gás já conta com infraestrutura de distribuição em municípios estratégicos para o agronegócio, como Linhares, Colatina e São Mateus, e temos a perspectiva de expansão da rede para mais cidades na região norte do estado até 2030. Isso cria condições para que um número cada vez maior de produtores e agroindústrias tenha acesso a uma fonte energética moderna, segura e competitiva, capaz de impulsionar inovação, eficiência e agregação de valor à produção regional", afirma Raphael Pereira, diretor-presidente da ES Gás.

Além dos impactos sobre produtividade e qualidade, o projeto avaliou benefícios socioambientais associados à substituição da lenha, como a redução da emissão de partículas, da geração de fuligem e dos riscos ergonômicos relacionados ao abastecimento manual das fornalhas.

Os resultados preliminares foram apresentados na semana passada, durante o Vitória Coffee Summit 2026, e reforçam o potencial do gás natural como alternativa energética para agregar valor ao café produzido no Espírito Santo, um dos principais estados produtores do país. A iniciativa contribui para ampliar a competitividade da cafeicultura capixaba e abre caminho para o desenvolvimento de novas soluções voltadas à modernização e à sustentabilidade do setor.



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