Polícia faz buscas na casa de suspeito de criar página de ataques e notícias falsas em Boa Esperança, ES
28 de novembro de 2025Buscas na casa de Lucas dos Reis Lemos foi autorizada pela Justiça em ação movida pelo prefeito da cidade Cláudio Rodrigues; suspeito diz que está à disposição da Justiça
Captura de tela mostra policiais deixando casa do suspeito – Foto: Leitor Rede Notícia
A Polícia Militar cumpriu, no fim da tarde desta quarta-feira (26), uma ordem de busca e apreensão na casa de Lucas dos Reis Lemos, apontado pela Polícia Civil como suspeito de administrar páginas anônimas no Instagram que teriam sido usadas para atacar pessoas e autoridades e divulgar conteúdos falsos em Boa Esperança, no Noroeste do Espírito Santo. A ação foi acompanhada por um oficial de justiça. Lucas diz que está à disposição da Justiça [leia mais abaixo].
A reportagem apurou que o mandado – autorizado pela Justiça – foi executado por policiais militares na residência do investigado, localizada na Rua Nossa Senhora Aparecida, no Centro da cidade. A determinação judicial atendeu a um pedido apresentado pela defesa do prefeito de Boa Esperança, Cláudio Rodrigues, no âmbito de uma queixa-crime que tem Lucas como alvo.
O material apreendido nas buscas foi encaminhado à Polícia Civil para subsidiar a investigação em curso e a ação processual.
A queixa-crime, ao qual a reportagem teve acesso, sustenta que houve um “longo e sofisticado conjunto de ataques digitais, produzidos e difundidos pelo querelado Lucas dos Reis Lemos, que se utilizou de perfis falsos, páginas anônimas e artifícios digitais sucessivos para ofender, humilhar, difamar e destruir a imagem pública e privada do Prefeito de Boa Esperança, Cláudio Rodrigues”. Outras autoridades e pessoas da sociedade relataram à reportagem que vão acionar a Justiça ante o que chamam de ofensas e mentiras veiculadas na página derrubada.
Segundo o advogado, que assina a ação, a conduta atribuída a Lucas “estruturou-se em três fases distintas e interligadas, todas com o mesmo objetivo: destruir a reputação do querelante e atual prefeito, por meio de manipulação digital, ataques pessoais e notícias falsas”.
A ação descreve três etapas:
1ª fase – “Grita Boa Esperança” (junho/2024)
De acordo com a acusação, Lucas ainda ocupava o cargo de assessor da ex-prefeita Fernanda Milanese na época, e acessos teriam sido feitos a partir de computadores da prefeitura. A peça afirma que “a página ‘Grita’ representou o início de um projeto comunicacional ilícito, com motivação político-partidária evidente”. A remoção teria ocorrido em julho de 2024, por decisão da Justiça Eleitoral.
2ª fase – “Zoa Boa Esperança” (início de 2025)
A ação sustenta que a página manteria “o mesmo padrão editorial” da anterior, com edição profissional e publicações consideradas ofensivas pela acusação. Segundo a queixa, os conteúdos cessaram após ordem judicial em maio de 2025.
3ª fase – “Foca Boa Esperança” (setembro/2025)
A peça descreve essa etapa como “a mais agressiva fase”, apontando que informações fornecidas por plataformas digitais teriam confirmado a vinculação da página a dados relacionados ao investigado. À época, Lucas declarou à Rede Notícia que era um dos responsáveis pela página.
Em 11 de novembro, a Rede Notícia informou que a Justiça havia determinado a remoção da página “Foca Boa Esperança” e identificado Lucas como responsável, segundo documentos anexados ao processo. Atualmente, ele atua como assessor de imprensa no CIM Norte, consórcio sediado em Nova Venécia.
Naquela ocasião, procurado pela reportagem, Lucas declarou que recorreria da decisão e afirmou que outras pessoas “da sociedade” também participavam do projeto. Em nota, disse: “A página Foca Boa Esperança foi criada com o objetivo de mostrar os fatos e as versões das pessoas sem manipulação. Nosso compromisso é com a verdade e a transparência (…). Seguimos firmes no propósito de informar com responsabilidade, respeito e imparcialidade”.
Na mesma data, o prefeito de Pinheiros, Edilson Monteiro (PSB), presidente do CIM Norte, afirmou que não tinha conhecimento das decisões judiciais e disse que o assessor é contratado “com total compromisso com a ética e transparência”. Ele declarou ainda que, caso seja constatada alguma ação fora das diretrizes legais, “o consórcio tomará as providências cabíveis”.
A Polícia Civil (PCES) informou nesta quarta-feira (26), “que o principal suspeito já foi identificado. No entanto, os delitos investigados são crimes contra a honra. A partir do que foi apurado, caberá à vítima decidir se oferecerá ou não a queixa-crime no Juizado Especial Criminal, uma vez que, nesse caso, a ação é de iniciativa privada. A queixa-crime é a peça processual que dá início à ação, sendo a própria vítima a principal responsável por sua apresentação, por meio de advogado. Esse tipo de ação é cabível em crimes nos quais o interesse privado prevalece sobre o público, como nos crimes de calúnia, difamação e injúria”.
A corporação acrescentou que “as investigações conduzidas pela Delegacia de Polícia (DP) de Boa Esperança seguem em andamento para identificar outros possíveis envolvidos, sem prejuízo da apuração de eventuais outros crimes”.
A reportagem demandou posicionamento à defesa do prefeito de Boa Esperança. O advogado Heitor Marcondes disse que em virtude de sigilo imposto na decisão que envolve o caso não vai se manifestar neste momento.
O prefeito de Pinheiros, Edilson Monteiro (PSB), presidente do CIM-Norte, disse que apoia e respeita decisões judiciais.
Nas redes sociais da companheira, Lucas Lemos declarou que está à disposição da Justiça, que vai responder ao processo e que “se o juiz entender” que ele tem culpa, que vai responder e “pagar” pela culpa.
A reportagem tenta novo contato com os citados. O espaço permanece aberto para manifestações.
(Fonte: Portal Rede Notícia.ES)