Observatório CIEE Juventude e Trabalho é lançado e revela maioria feminina no ensino superior brasileiro
28 de outubro de 2026Mulheres representam 57,4% dos estudantes de graduação de 18 a 29 anos no Brasil; levantamento também mostra que 62% conciliam estudos e trabalho
Jeferson Altenhofen, vice-presidente do Grupo Cogna, e Daniel Ximenes, diretor de Regulação da Educação Superior do Ministério da Educação, estiverem presentes no encontro – Foto: Divulgação
As mulheres representam 57,4% dos jovens de 18 a 29 anos que cursam o ensino superior no Brasil, enquanto 62% dos universitários dessa faixa etária conciliam a graduação com o trabalho. Os dados integram o Raio X do ensino superior, levantamento apresentado pelo Centro de Integração Empresa-Escola – CIEE – durante o Conecta CIEE, evento criado para lançar novos produtos, parcerias, tecnologias e soluções voltadas para universitários, realizado neste mês de outubro, e revelam aspectos importantes do acesso à formação universitária e dos desafios enfrentados pelos estudantes para concluir os cursos.
O encontro marcou o lançamento do Observatório CIEE Juventude e Trabalho, iniciativa dedicada à análise de dados, tendências e comportamentos da juventude brasileira. O projeto conta com o Hub de Evidências FGV Policy Lab CIEE, parceria com a FGV EESP Policy Lab voltada à produção conjunta de estudos e evidências que possam contribuir para o debate e a formulação de ações e políticas para a juventude.
Elaborado a partir de dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e do Censo da Educação Superior, do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), o levantamento traça um panorama da graduação entre brasileiros de 18 a 29 anos.
Acesso em expansão, conclusão em ritmo menor
Entre 2009 e 2024, o número de matrículas de jovens de 18 a 29 anos na graduação passou de 4,3 milhões para 6,4 milhões, uma alta de 48%. No mesmo período, o total de ingressantes cresceu 98%, passando de 1,5 milhão para 3 milhões. Já o número de concluintes avançou 21%, de 637 mil para 773 mil.
Os dados apontam que o crescimento do acesso ao ensino superior não foi acompanhado pelo mesmo ritmo na conclusão dos cursos. A permanência dos estudantes, portanto, aparece como um dos desafios centrais para a educação superior no país, já que também podemos identificar diferenças expressivas de acordo com a modalidade de ensino. Em 2024, o percentual de estudantes que deixaram o curso, considerando os vínculos registrados, foi de 28,4% no ensino a distância (EaD), ante 14,8% no presencial – uma taxa aproximadamente 1,9 vez maior na modalidade a distância.
Durante o evento, Daniel Ximenes, diretor de Regulação da Educação Superior do Ministério da Educação (MEC), participou de um debate sobre estratégias para atrair estudantes e reduzir a evasão. Para ele, a inclusão no ensino superior depende de acesso, permanência e qualidade.
“Não podemos olhar para o aluno que estuda a distância de forma isolada, ele tem que ser um aluno frequente no processo pedagógico todos os dias”, afirmou Ximenes, ao comentar a taxa de evasão de 41,9% nas matrículas EaD mencionada durante o debate.
Trabalho e educação na trajetória dos jovens
A conciliação entre emprego e formação universitária é outra característica relevante do cenário identificado pelo estudo. Do total de jovens de 18 a 29 anos que cursam a graduação, 62% trabalham, enquanto 38% não exercem atividade profissional.
No debate, Jeferson Altenhofen, vice-presidente do Grupo Cogna, apontou a questão financeira como um dos principais fatores relacionados ao trancamento de matrículas. Segundo ele, esse motivo está associado a 70% dos casos mencionados na discussão. Altenhofen também destacou a relação entre empregabilidade e permanência nos estudos: de acordo com o executivo, quando o estudante também é estagiário e está inserido no mercado de trabalho, a chance de trancar o curso cai 20%.
“O ensino superior é uma etapa dentro de uma jornada de aprendizagem que vai ser muito longa daqui para a frente, e é um fator extremamente importante do ponto de vista de ascensão profissional e ascensão salarial”, afirmou o vice-presidente da Cogna.
Observatório pretende contribuir para o debate sobre a juventude
Rodrigo Dib, superintendente Institucional do CIEE, durante o CIEE Conecta – Foto: Divulgação
O Conecta CIEE também marcou o lançamento do Observatório CIEE Juventude e Trabalho, criado para reunir e analisar informações sobre os jovens brasileiros e suas relações com a educação e o mercado de trabalho. A iniciativa inclui a parceria com a FGV EESP Policy Lab, por meio do Hub de Evidências FGV Policy Lab CIEE, para a produção conjunta de estudos e evidências que possam subsidiar discussões e políticas voltadas à juventude.
No último painel do encontro, mediado por Rodrigo Dib, superintendente Institucional do CIEE, o debate abordou como conectar, liderar e engajar a juventude. Dib destacou a importância de compreender o comportamento dos jovens a partir de dados e observou que essa geração busca clareza no diálogo com gestores e empresas. Para ele, as lideranças também têm papel importante na orientação dos novos talentos e na construção de suas trajetórias profissionais.
O levantamento oferece subsídios para discutir não apenas o ingresso dos jovens no ensino superior, mas também as condições para que conciliem formação, trabalho e desenvolvimento profissional.