Nutróloga do Hucam explica quais são os efeitos da cafeína no organismo
23 de abril de 2026O consumo moderado da bebida pode aumentar o alerta e a concentração, mas o excesso prejudica a qualidade do descanso e da digestão
Cafeína estimula a liberação de neurotransmissores como dopamina e noradrenalina – Foto: Divulgação
Presente no dia a dia dos brasileiros, o café é destaque no mês de abril, quando o produto é celebrado. Para esclarecer dúvidas sobre seus efeitos no organismo, a gastroenterologista e nutróloga do Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes, da Universidade Federal do Espírito Santo (Hucam-Ufes), que integra a Rede HU Brasil, Christian Kelly Ponzo, explica como a cafeína atua no corpo e quais são seus impactos sobre o sono e a saúde digestiva.
De acordo com a médica, a cafeína é uma substância psicoativa que atua principalmente como antagonista dos receptores de adenosina no sistema nervoso central. “A adenosina é um neurotransmissor que induz relaxamento e sonolência ao longo do dia; ao bloqueá-la, a cafeína promove aumento do estado de alerta, melhora da concentração e redução da fadiga”, explicou.
Além disso, a cafeína estimula a liberação de neurotransmissores como dopamina e noradrenalina, o que contribui para melhora do desempenho cognitivo e do humor. “No sistema cardiovascular, pode causar leve aumento da frequência cardíaca e da pressão arterial, especialmente em indivíduos sensíveis”, completou Christian.
A questão-chave está na quantidade. Em doses moderadas, até cerca de 400 mg de cafeína por dia, o consumo é considerado seguro para a maioria das pessoas saudáveis e pode trazer benefícios. “O principal segredo está na quantidade, no perfil individual e no contexto de consumo. O café pode trazer benefícios importantes, como ação antioxidante, melhora da performance cognitiva e possível redução de risco de algumas doenças crônicas, desde que consumido de forma equilibrada”, disse a especialista.
Por outro lado, o excesso pode levar a efeitos adversos como ansiedade, insônia, palpitações, piora de sintomas gastrointestinais (como refluxo e gastrite) e alteração da qualidade do sono. “Ele deixa de ser um vilão e passa a ser um aliado quando respeitamos a individualidade biológica e mantemos o consumo dentro de limites seguros”, pontuou a nutróloga.
Christian Kelly Ponzo lista alguns pontos que fazem a diferença:
- Evitar consumo próximo ao horário de dormir
- Atenção em pessoas com maior sensibilidade à cafeína
- Cuidado em pacientes com refluxo, ansiedade ou arritmias
- Preferir o café sem excesso de açúcar ou adoçantes artificiais
- Inserir o consumo dentro de um estilo de vida saudável