Número de inquéritos da PF contra coiotes no Brasil cresce 446% em dois anos
02 de abril de 2022Número de brasileiros presos tentando entrar ilegalmente em solo americano também explodiu: foram computadas 78.842 detenções entre janeiro e setembro de 2021. Em 2018, foram documentadas 1.589
Sonho interrompido: Agentes de controle da fronteira detêm um grupo de brasileiros tentando entrar nos EUA – Foto: Sandy Huffaker/Agência O Globo
Uma operação da Polícia Federal no começo de fevereiro apreendeu o que os investigadores consideram ser o “manual de instruções” dos “coiotes”, como são chamados os criminosos que agenciam a migração ilegal de brasileiros para os Estados Unidos. O documento, encontrado em um casebre em Barra de São Francisco, município no interior do Espírito Santo usado como posto de passagem, continha instruções de como os interessados em atravessar a fronteira deveriam se comportar e se vestir durante o percurso.
As mulheres, por exemplo, não deveriam optar por roupas coloridas, e sim um “blazer bem bonito”, para não chamar a atenção das autoridades americanas, além de “tênis social, fechado, sem mola”. Para os homens, o manual recomenda roupa social “com a camisa dentro da calça”.
Um relatório inédito da PF, ao qual o GLOBO teve acesso, mostra a expansão desses grupos criminosos, à medida que a situação econômica piorou para a população brasileira.
A quantidade de inquéritos contra coiotes saltou de 38 em 2019 para 153 em 2021, um crescimento de 446%. Apenas Minas Gerais concentrou 52 dos inquéritos instaurados, 31 deles no ano passado.
O número de brasileiros presos tentando entrar ilegalmente em solo americano também explodiu. Foram computadas 78.842 detenções entre janeiro e setembro de 2021, que, segundo a PF, revela um recorde de 290 prisões por dia. Em 2018, foram documentadas 1.589 prisões.
Os coiotes prometiam, por US$ 25 mil (R$ 116,7 mil, pela cotação de ontem), cobrir os custos de todo o processo da migração, incluindo a confecção e a retirada do passaporte em São Paulo, a compra de passagens e a chegada aos Estados Unidos “sem sobressaltos alfandegários”. Para dar ares de legalidade, os criminosos incluíam brasões da PF nos contratos entre a agência de turismo e os interessados.
Valedoitaúnas (O Globo)