Nova farinheira garante futuro e tradição na comunidade São Jorge
04 de março de 2026Comunidade quilombola do Norte do ES ganhou farinheira comunitária totalmente equipada
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A Associação Quilombola da Comunidade São Jorge, localizada em São Mateus, no Norte do Estado, inaugurou, no dia 28 de fevereiro, a farinheira comunitária construída em parceria com a Suzano - maior produtora mundial de celulose e referência global na fabricação de bioprodutos desenvolvidos a partir do eucalipto –, Fundação Marcopolo e Fundo Social de Apoio à Agricultura Familiar (FUNSAF). A inauguração contou com atrações culturais, feira gastronômica e de artesanato, e reuniu moradores da região do Sapê do Norte, além de autoridades e representantes das instituições parceiras.
Com cerca de 70 metros quadrados de área construída, a nova farinheira conta com espaço para o processamento da mandioca, área de secagem, banheiros, poço artesiano, além de ser equipada com ralador, prensa, forno e outros equipamentos. A estrutura tem conceito sustentável, dando destinação adequada a todos os resíduos. Uma equipe, formada por moradores locais, passou por treinamento técnico e será responsável pelo funcionamento da estrutura, dentro de procedimentos de higiene e segurança.
"A produção de farinha e beiju é tradicional na comunidade, uma cultura mantida há gerações. A farinheira é fundamental para fazer o processamento da mandioca em uma escala comercial, o que vai auxiliar muito no aumento da renda das famílias. Estamos muito felizes com essa conquista", afirma a presidente da associação, Darcilene Valentin dos Santos.
Parceira da comunidade há vários anos, a empresa Suzano esteve presente em todas as etapas de viabilização da farinheira. A empresa custeou a perfuração de um poço artesiano, que foi essencial para iniciar a obra, e ajudou com assistência técnica para inscrição do projeto via FUNSAF, do Governo do Estado, além de contribuir com repasse financeiro para a construção. "A Suzano busca um diálogo aberto para fortalecer o relacionamento com as comunidades da região, que são vizinhas das nossas operações, e construir, de forma participativa, soluções para geração de trabalho e renda", ressalta consultor de Relacionamento Social da Suzano, Narcisio Luiz Loss.
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Quilombolas comemoram investimento
A agricultora Audelita Batista de Oliveira, de 46 anos, ressalta que trabalha com o cultivo de mandioca desde a infância. "Na minha família, todos são envolvidos na produção de mandioca, desde a plantação até a colheita e beneficiamento. A gente sempre trabalhou de forma bem artesanal, na nossa pequena farinheira familiar. Mas agora, o trabalho manual árduo será facilitado com a nova farinheira, que vai mecanizar o processo e facilitar a tarefa de produção de farinha e beiju", afirma.
A professora aposentada, Ana Antônia de Jesus, de 70 anos, também celebra o investimento. "Morei a vida inteira nessa comunidade, aprendi com meus pais o trabalho na roça e precisei trabalhar fora para ajudar no sustento, porque o trabalho sempre foi muito pesado. Agora estamos realizando um sonho antigo, e estou muito contente em ver a farinheira comunitária finalmente pronta. Isso vai ajudar todas as famílias do entorno a elevar a renda e, principalmente, resgatarem a tradição quilombola", afirma.
Presenças
O evento contou também com a presença do presidente da Comissão de Soluções Fundiárias da Secretaria de Estado de Direitos Humanos, Renato Pazito; da vice-prefeita de São Mateus, Raquel Rocha; da secretária de gabinete da prefeitura de São Mateus, Tâmara Chaves de Oliveira Costa; da deputada federal, Jaqueline Rocha; do representante do INCAPER, Rafael Jordano Biasi de Abreu; dos representantes da Marcopolo, Tairone da Conceição e Carolaine Cardoso; da Suzano, Narciso Loss, Gabriela Frinhani Nico e Daiane dos Santos; e do consultor em gestão de empreendimento de base comunitária, Ildeu Linhares.
Todos os representantes das instituições que contribuíram com a comunidade, foram homenageados com uma placa de congratulações.
A comunidade
Situada na região de Sapê do Norte, área rural do município de São Mateus, a comunidade São Jorge é habitada por descendentes de quilombolas. A comunidade recebeu este nome na década de 50, com a chegada da imagem de São Jorge, trazida de Vitória pelo senhor Manoel.