Nelore mostra que produzir com qualidade é o único caminho para a pecuária
12 de agosto de 2026
Victor Paulo Silva Miranda, presidente da Associação dos Criadores de Nelore do Brasil (ACNB) – Foto: Divulgação
Os resultados da pecuária no Brasil mostram que estamos no caminho certo, mas também deixam claro que os desafios aumentaram. Em 2025, o Brasil registrou um novo recorde nas exportações de carne bovina, com 3,5 milhões de toneladas embarcadas para 177 países, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). É uma conquista importante, que mostra a força da nossa produção. Entretanto, isso também traz mais responsabilidade para quem está dentro da porteira. Quanto mais espaço a carne brasileira conquista no mundo, maior é a cobrança por qualidade.
Essa mudança tem transformado a forma como enxergamos a pecuária. Se, há alguns anos, investir em genética, manejo e eficiência era visto como um diferencial, agora esses fatores passaram a ser indispensáveis. Quem pretende permanecer competitivo precisa entregar um produto cada vez mais alinhado às demandas da indústria e, principalmente, dos consumidores, que buscam carne de qualidade, produzida com responsabilidade.
Essa evolução não aconteceu por acaso. Ela é fruto de um trabalho realizado por produtores, técnicos da área, pesquisadores e entidades que acreditam na melhoria dos sistemas de produção. A raça Nelore ocupa um papel de destaque nisso tudo. Ao longo das últimas décadas, a seleção genética permitiu avanços em características como fertilidade, ganho de peso, rendimento de carcaça, marmoreio e precocidade, tornando o Nelore um dos grandes responsáveis pela competitividade da pecuária.
Só que a qualidade não se constrói apenas no discurso. Ela precisa ser medida, comparada e aperfeiçoada. É exatamente esse o intuito do Circuito Nelore de Qualidade, iniciativa da Associação dos Criadores de Nelore do Brasil (ACNB), que se destaca como o maior campeonato de avaliação de carcaças bovinas do mundo.
Os números da edição de 2025 mostram a dimensão desse trabalho. Ao longo do ano, foram avaliados 49.700 animais em etapas realizadas em 12 estados brasileiros, além do Paraguai e da Bolívia. Ao todo, 388 pecuaristas participaram da iniciativa. O Circuito ainda registrou dois recordes históricos. O primeiro em Diamantino (MT), com 5.908 animais avaliados, e, logo depois, em Mozarlândia (GO), onde 6.650 bovinos passaram pela avaliação. Para este ano de 2026, nossa expectativa é superar os resultados: em sete etapas de um total de 38, já analisamos cerca de 6 mil carcaças.
Esse é um dos maiores avanços da pecuária nos últimos anos. O produtor deixou de olhar apenas para o volume produzido e passou a enxergar valor nos indicadores que impactam a rentabilidade da fazenda. Hoje, entender o desempenho das carcaças, acompanhar índices e investir em genética são medidas que fazem parte da gestão.
O Nelore tem demonstrado, ano após ano, que está preparado para responder a esse desafio. Tenho certeza de que esse movimento continuará nos próximos anos. A competitividade da pecuária dependerá, cada vez mais, da capacidade de produzir animais superiores e de utilizar informações para orientar decisões dentro da fazenda. O Circuito Nelore de Qualidade mostra que esse caminho já está sendo percorrido por centenas de produtores, e os resultados comprovam que investir em qualidade gera retorno.