Mulher, negra e cientista: professora leva inovação e inclusão a pacientes no ES
17 de março de 2025Pioneira e referência na reabilitação física, a professora Gilma Coutinho abre caminhos para mulheres na ciência e na inclusão
Professora e pesquisadora Gilma Coutinho – Fotos: Acervo Pessoal
Uma mulher negra que dedica sua vida à ciência e à reabilitação, ajudando pessoas com deficiência a terem mais autonomia e qualidade de vida. Esse é o legado de Gilma Coutinho, professora e pesquisadora que atua no desenvolvimento de tecnologias assistivas, como órteses personalizadas, para melhorar o dia a dia de quem precisa.
Gilma coordena o Laboratório de Análise Funcional e Ajudas Técnicas (Lafatec), na Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), onde confecciona órteses adaptadas às necessidades individuais de pacientes com limitações motoras.
Ela é a primeira terapeuta ocupacional do Estado. Além disso, acompanha de perto a evolução da impressão 3D na reabilitação, trazendo inovação para o campo da terapia ocupacional.
“A gente confecciona de acordo com a necessidade da pessoa, para que ela possa melhorar a função e realizar suas atividades diárias”, explica a professora.
Sua atuação vai além do laboratório. Gilma é coordenadora do Grupo de Pesquisa CNPq sobre Terapia Ocupacional, Reabilitação Física e Tecnologia Assistiva e preside o Conselho Consultivo da Clínica Escola Interprofissional em Saúde da Ufes.
Com sua atuação na Ufes e em projetos sociais, ela segue transformando a realidade da reabilitação no Brasil – Foto: Arquivo Pessoal
MULHER NEGRA NA CIÊNCIA
Ao longo da carreira, Gilma precisou ser resistente.
“No início, foi difícil. Até provar que você tem capacidade e competência, leva um tempo. Muitas vezes, ainda precisam lembrar que você é inteligente apesar de ser mulher e negra”, conta Gilma.
Para ela, a busca pelo conhecimento foi essencial para superar esses desafios.
“Se você sabe o que está fazendo, ninguém pode dizer não. Eu sempre apostei nisso: estudar, pesquisar, aprender”, disse Gilma.
A falta de referências na terapia ocupacional no Espírito Santo também foi um obstáculo. Sem muitas profissionais na área, precisou buscar conhecimento em outros estados e países.
Exemplo de um modelo da confecção de órteses – Foto: Arquivo Pessoal
ENSINO E PESQUISA
Além da pesquisa, Gilma sempre teve o desejo de ampliar o acesso à terapia ocupacional. Por isso, atuou na criação dos primeiros cursos da área no Espírito Santo.
Em 2000, ajudou a fundar o curso de Terapia Ocupacional na Faesa. Depois, em 2007, levou a graduação para a Ufes, onde hoje é professora adjunta e continua formando novos especialistas.
Seu compromisso com a inclusão também se refletiu no Projeto TATO Comunidade (2012-2018), que forneceu dispositivos assistivos para idosos e pessoas com deficiência, aumentando sua autonomia no dia a dia.
A MULHER POR TRÁS DA CIENTISTA
Mãe, avó e apaixonada pela vida, Gilma equilibra a rotina intensa com momentos de lazer. Ama cinema, teatro, livros, praia e carnaval, e sempre que pode, viaja para explorar novos lugares.
Ao mesmo tempo, segue firme em sua missão de ensinar, aprender e pesquisar na área da reabilitação.
(Fonte: Folha Vitória)