Julho Amarelo: Especialista esclarece os principais mitos e verdades sobre as hepatites e explica quais podem ser prevenidas por vacina
08 de julho de 2026O infectologista Dr. Bil Randerson Bassett, da Nina Saúde, aborda as principais dúvidas sobre as hepatites virais, explica como prevenir cada tipo da doença e destaca a importância da vacinação para frear o avanço das infecções
Foto: Divulgação
As hepatites virais continuam sendo um importante desafio de saúde pública e ainda são cercadas por dúvidas que podem comprometer a prevenção e o diagnóstico precoce. Muitas pessoas acreditam que toda hepatite possui vacina, que a doença sempre provoca pele e olhos amarelados ou que só é necessário se preocupar quando surgem sintomas. Neste Julho Amarelo, campanha nacional de conscientização sobre as hepatites virais, o infectologista Dr. Bil Randerson Bassetti, da Nina Saúde, esclarece os principais mitos e verdades sobre o tema e reforça que informação, vacinação e diagnóstico precoce são as principais estratégias para reduzir novos casos e evitar complicações.
Entre todas as formas de prevenção, a vacinação ocupa um papel central. Atualmente, as hepatites A e B podem ser prevenidas por meio da imunização, considerada uma das medidas mais eficazes para reduzir a circulação dos vírus e evitar complicações como cirrose e câncer de fígado. Já para as hepatites C, D e E, a prevenção depende de outras estratégias, como cuidados com a exposição ao vírus, diagnóstico precoce e acompanhamento médico. Além das vacinas disponibilizadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS), a rede privada também oferece alternativas que ampliam as possibilidades de imunização conforme a idade, o histórico vacinal e as necessidades de cada paciente. Entre elas está a vacina combinada contra as hepatites A e B, que pode facilitar a atualização da carteira vacinal quando houver indicação médica, reforçando a importância de uma avaliação individualizada.
As hepatites virais também preocupam porque, muitas vezes, evoluem de forma silenciosa durante anos. Com isso, o diagnóstico costuma acontecer apenas quando já existem danos importantes ao fígado. Não por acaso, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estabeleceu como meta eliminar as hepatites virais como problema de saúde pública até 2030, reduzindo em 90% as novas infecções por hepatites B e C e em 65% a mortalidade relacionada às doenças. Segundo Bil Randerson Bassetti, ainda existe muito desconhecimento sobre as diferenças entre os tipos de hepatite, especialmente quando o assunto é prevenção. "Muitas pessoas acreditam que hepatite é uma única doença ou imaginam que todas podem ser prevenidas da mesma forma. Na realidade, cada vírus possui características próprias e conhecer essas diferenças é fundamental para adotar as medidas corretas de prevenção, incluindo a vacinação quando ela está disponível", explica.
Abaixo, Bill lista os principais mitos e verdades sobre o assunto e auxilia na melhor forma de prevenção da doença: a vacinação.
Toda hepatite pode ser prevenida por vacina?
Mito. Atualmente, apenas as hepatites A e B possuem vacinas aprovadas. A hepatite C ainda não conta com imunizante e sua prevenção depende de medidas como não compartilhar objetos perfurocortantes, utilizar preservativos em situações de risco e realizar a testagem quando houver indicação médica.
A vacinação contra hepatites é igual no SUS e na rede privada?
Verdade, mas existem diferenças na oferta. A vacina contra hepatite B disponível no SUS é a mesma utilizada na rede privada e oferece alta proteção contra a doença. Já a vacina contra hepatite A integra o calendário infantil do SUS e também é disponibilizada para grupos específicos. Na rede privada, além das vacinas individuais, também existe a vacina combinada contra as hepatites A e B, ampliando as possibilidades de imunização conforme a idade, o histórico vacinal e a recomendação médica.
Para o profissional da Nina Saúde, a imunização é um dos caminhos mais importantes para reduzir a incidência das hepatites virais e evitar complicações associadas às doenças. Segundo o especialista, facilitar o acesso também é uma estratégia importante para aumentar a cobertura vacinal. “A possibilidade de receber vacinas em casa, por exemplo, tem contribuído para reduzir o adiamento da imunização por falta de tempo ou dificuldade de deslocamento”, destaca.
Só crianças precisam se vacinar contra hepatites?
Mito. Embora a vacinação faça parte do calendário infantil, adolescentes e adultos que não receberam todas as doses recomendadas também podem precisar atualizar a proteção. Revisar a carteira de vacinação é importante em qualquer fase da vida e a necessidade de imunização deve ser avaliada por um profissional de saúde.
Pele e olhos amarelados são sempre os primeiros sintomas da hepatite?
Mito. A icterícia é um dos sinais mais conhecidos da doença, mas nem sempre está presente. As hepatites B e C, por exemplo, podem permanecer assintomáticas durante anos, fazendo com que muitas pessoas descubram a infecção apenas em exames de rotina ou quando já existem complicações no fígado.
É possível ter hepatite sem apresentar sintomas?
Verdade. Grande parte das infecções, especialmente as hepatites B e C, pode evoluir de forma silenciosa por muitos anos.
Quem toma a vacina contra hepatite B também fica protegido contra hepatite D?
Verdade. O vírus da hepatite D depende da presença do vírus da hepatite B para infectar o organismo. Por isso, ao se vacinar contra a hepatite B, a pessoa também previne a infecção pela hepatite D.
Compartilhar copos, pratos e talheres transmite hepatite B e C?
Mito. Esses vírus não são transmitidos pelo compartilhamento de utensílios domésticos. A transmissão ocorre principalmente pelo contato com sangue e outros fluidos corporais contaminados.
A hepatite C tem tratamento?
Verdade. Atualmente, existem medicamentos capazes de eliminar o vírus na maioria dos pacientes, principalmente quando o diagnóstico é realizado precocemente.