Ilha dos Martins não tem luz e depende de energia solar, mas é destino turístico
29 de novembro de 2021Moradores precisam contabilizar cada aparelho ligado, a fim de não ficar no escuro. Quando chove, as baterias rendem ainda menos
Ilha dos Martins, na Baía de Sepetiba – Foto: Reprodução/TV Globo
A poucos minutos de barco do Porto de Itaguaí, um dos mais modernos do país e escoadouro de minério de ferro para o exterior, está a Ilha dos Martins.
A ilha é a segunda parada do Expedição Rio, um programa sobre pontos do Grande Rio que muitos cariocas não conhecem.
Em cinco episódios, os repórteres Daniella Dias e Pedro Bassan percorrem de Sepetiba à Baixada Fluminense, desbravando ângulos e conhecendo personagens.
Contrastando com a tecnologia de ponta do terminal de carga, os ilhéus não têm energia elétrica e recorrem a painéis solares. Apesar disso, o Martins é um destino turístico. Quem liga não ter luz?
A costureira Isabel Esteves é uma dessas. Ela vem de Petrópolis com a família passar férias no Martins há três anos.
“Não adianta me chamar para a Barra, para o Leme, Copacabana... é só aqui, onde a gente se sente bem. Não tem onda, é tranquilo!”, elogiou.
Praia do Sul, na Ilha dos Martins – Foto: Reprodução/TV Globo
Dona Idaurina Ramos da Silva mantém um bar na ilha. Seus painéis solares ajudam na geladeira e num freezer desligado e improvisado com gelo – trazido de barco da vizinha Ilha da Madeira.
“A bebida tem que estar gelada. A gente faz de tudo para agradar”, ensinou.
Painéis solares na Ilha dos Martins – Foto: Reprodução/TV Globo
E de noite?
Quando o sol se põe, poucas luzes são acesas, a fim de não gastar a energia armazenada nas baterias durante o dia claro.
“A gente depende do sol para ter uma luz boa”, disse o barqueiro Alex. Dias nublados não ajudam, e o que os painéis captam vai embora logo se não tiver racionamento.
“Televisão? Se ver de dia, não pode ver de noite”, continuou a esposa, Elenice. “Chuveiro elétrico, nem pensar”, lembrou Alex.
Na casa dos barqueiros, a geladeira também tem hora para funcionar, sendo desligada de noite. “Coisas de congelador, a gente não pode ter, senão estraga”, emendou Elenice.
Andando sobre as águas
Ponta da Pombeba, santuário de aves na Baía de Sepetiba – Foto: Reprodução
Depois de pernoitar na ilha, a Expedição Rio seguiu para a Ponta da Pombeba, um rastilho de terra ligado à Restinga da Marambaia, terceira parada da aventura.
Com a mudança da maré, uma linha branca aparece e desaparece ao longo do dia. É sobre essa fina faixa de areia que se tem a impressão de se caminhar sobre as águas.
A Pombeba é lar de gaivotas, de garças e de trinta-réis. No entorno, pescadores pescam camarões.
Gaivotas na Ponta da Pombeba, na Baía de Sepetiba – Foto: Reprodução/TV Globo
Valedoitaúnas (g1)