Home - Economia - ICL aponta prejuízos bilionários da “economia do crime” nos combustíveis...

ICL aponta prejuízos bilionários da “economia do crime” nos combustíveis em evento do LIDE

27 de maio de 2026

ICL aponta prejuízos bilionários da “economia do crime” nos combustíveis em evento do LIDEFoto: Divulgação

O presidente do Instituto Combustível Legal (ICL), Emerson Kapaz, defendeu nesta manhã, durante o Seminário LIDE, o fortalecimento institucional da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e o avanço de medidas contra a atuação do crime organizado no setor de combustíveis. Segundo ele, o problema deixou de se restringir à sonegação e passou a integrar o que classificou como “economia do crime”, com impacto direto sobre a concorrência, a arrecadação e a segurança pública.

Kapaz afirmou que o setor de combustíveis reúne cerca de 43 mil postos no país e ressaltou a importância de uma ANP forte, estruturada e valorizada para atuar em um mercado estratégico, competitivo e de grande capilaridade nacional. Segundo ele, o apoio da iniciativa privada tem sido fundamental para que a agência cumpra sua missão regulatória e fiscalizatória.

Devedor Contumaz

O presidente do ICL também destacou avanços recentes da agenda institucional, como a aprovação da lei do devedor contumaz, após oito anos de tramitação. Segundo ele, a proposta ganhou impulso após operações de grande porte contra fraudes no setor, incluindo a Carbono Oculto, citada por Kapaz como uma das maiores ações recentes no país, com centenas de buscas e apreensões.

De acordo com Kapaz, a nova legislação permite diferenciar empresas que enfrentam inadimplência eventual daquelas estruturadas deliberadamente para não pagar tributos e competir de forma desleal. Ele afirmou que companhias regulares não conseguem disputar mercado com agentes que deixam de recolher 20%, 25% ou 30% em tributos.

“Tem que valer a pena ser sério no Brasil. A competição tem que ser leal. Todos têm que pagar a mesma coisa e ganhar aquele que é mais competitivo, não aquele que sonega, adultera ou faz malandragem”, disse.

Kapaz também mencionou avanços em outras frentes regulatórias, como mudanças relacionadas ao CBIO/RenovaBio e à fiscalização do biodiesel, com equipamentos doados por entidades do setor à ANP. Para o presidente do ICL, iniciativas como essa mostram como a cooperação entre setor privado, entidades representativas e poder público pode ampliar a capacidade de enfrentamento às irregularidades e fortalecer a integridade do mercado.

O presidente do ICL também citou o caso de agentes de mercado como exemplos da dimensão financeira dos problemas enfrentados pelo setor. Segundo Kapaz, algumas empresas ultrapassam a dívida total de R$ 50 bilhões.

Apoio ao governo do Rio de Janeiro

Kapaz elogiou iniciativas recentes do governo do Estado do Rio de Janeiro voltadas ao enfrentamento de estruturas associadas a fraudes e irregularidades, citando também a demissão de 2.800 pessoas como parte de um esforço de reorganização administrativa no estado.

Para o presidente do ICL, o combate à sonegação, à adulteração e à infiltração do crime organizado no mercado formal deve ser tratado como tema central para a segurança pública, a arrecadação e o ambiente de negócios.

“A competição a gente enfrenta. O que eu não consigo enfrentar é o sonegador e o adulterador”, afirmou. “Esse é o nosso trabalho hoje, a nossa missão, e é isso que o ICL vem fazer e vai continuar fazendo ao longo dos próximos anos.”



banner
banner