Dia Mundial do Coração: nova tecnologia para tratar arritmia começa a ser usada no ES
29 de setembro de 2026Hospital Vitória Apart está entre os primeiros do Brasil a utilizar técnica que trata vários pontos do coração simultaneamente com pulsos elétricos
Márcio Augusto Silva, cardiologista do Hospital Vitória Apart – Foto: Divulgação
No Dia Mundial do Coração, celebrado nesta terça-feira (29), o Espírito Santo ganha uma nova alternativa para o tratamento de arritmias cardíacas. O Hospital Vitória Apart está entre as primeiras instituições do Brasil a utilizar a ablação por campo pulsado com cateter balão (PFA), uma tecnologia que utiliza pulsos elétricos de alta precisão para tratar, simultaneamente, diferentes áreas do coração responsáveis pelo ritmo cardíaco irregular. O primeiro procedimento com a nova técnica será realizado nesta quarta-feira (30), no hospital.
A novidade está na forma de tratar as áreas do coração responsáveis pelo ritmo cardíaco irregular. Na ablação tradicional é utilizada a radiofrequência para cauterizar os focos de arritmia, geralmente ponto a ponto. Já a nova tecnologia utiliza pulsos elétricos altamente direcionados que permitem tratar vários pontos simultaneamente, em uma única aplicação.
“A fibrilação atrial acontece quando os estímulos elétricos que comandam os batimentos do coração deixam de seguir um ritmo organizado. Em vez de o coração bater de maneira coordenada, os átrios passam a apresentar uma atividade elétrica desordenada, o que provoca a irregularidade dos batimentos. A ablação busca justamente interromper os pontos que desencadeiam essa atividade anormal”, explica Márcio Augusto Silva, cardiologista do Hospital Vitória Apart.
Na nova técnica, os pulsos elétricos são direcionados às células responsáveis pela alteração do ritmo cardíaco, reduzindo a possibilidade de atingir tecidos próximos à área tratada. O sistema é integrado a uma plataforma de mapeamento cardíaco tridimensional que permite à equipe médica visualizar o coração e identificar com precisão os locais que precisam ser tratados.
Para Márcio Augusto Silva, a principal diferença da nova tecnologia está na combinação entre precisão e eficiência. “Na prática, conseguimos tratar uma área maior de forma mais rápida e com menos aplicações. Isso reduz o tempo do procedimento e a exposição do paciente, além de permitir uma atuação mais precisa sobre as regiões que precisam ser tratadas”, afirma o cardiologista.
Fibrilação atrial atinge cerca de 2 milhões de brasileiros
A fibrilação atrial é um dos tipos mais frequentes de arritmia. Estima-se que cerca de 1% da população brasileira tenha a condição, o equivalente a aproximadamente 2 milhões de pessoas. Com o envelhecimento da população, a tendência é que esse número cresça nos próximos anos.
A arritmia provoca um ritmo irregular do coração e pode causar sintomas como palpitação, cansaço, falta de ar e tontura. Em alguns casos, porém, pode não apresentar sintomas perceptíveis. A condição também está relacionada a um risco cerca de cinco vezes maior de AVC, o que reforça a importância do diagnóstico e do tratamento adequado.
A ablação é uma das opções terapêuticas para pacientes com fibrilação atrial. O procedimento busca eliminar as áreas responsáveis pelos sinais elétricos anormais que provocam a arritmia.
Tecnologia foi aprovada no Brasil em 2026
O Sistema Volt™ de Ablação por Campo Pulsado (PFA), da Abbott, foi utilizado em estudos clínicos internacionais e recebeu aprovação da FDA, nos Estados Unidos, em dezembro de 2025. Na Europa, recebeu o CE Mark em março de 2025 e, no Brasil, o registro da Anvisa foi concedido em janeiro de 2026.
O Hospital Vitória Apart está entre as primeiras instituições brasileiras a utilizar o sistema e entre as primeiras do país a realizar procedimentos com o Cateter de Ablação TactiFlex™ Duo, da Abbott.