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Da espada de Dâmocles à queda de Maduro: Lições da história sobre poder e liberdade

22 de maio de 2026

Da espada de Dâmocles à queda de Maduro: Lições da história sobre poder e liberdadeCélio Barcellos – Foto: Divulgação

No início do século XIX, Paris testemunha o encontro de dois jovens idealistas: Alexander von Humboldt e Simón Bolívar. O primeiro, um respeitado cientista prussiano; o segundo, o futuro libertador da América Latina.

Segundo Andrea Wulf em A Invenção da Natureza, nesse encontro Humboldt inspira Bolívar com ideias iluministas, como liberdade, separação dos poderes e contrato social entre povo e governantes (p. 218).

Bolívar retorna à América do Sul, assume o papel messiânico de libertador e inicia uma guerra sangrenta de cerca de 20 anos. Ao fim, torna-se ditador, causando profunda tristeza a Humboldt do outro lado do oceano.

Com a captura de Nicolás Maduro por forças especiais americanas em 03 de janeiro do presente ano, o noticiário global destacou as diversas perspectivas sobre o evento: de um lado, defensores da ação dos EUA; de outro, críticos que veem intromissão na soberania venezuelana.

O mundo vive um caos sem solução puramente humana. Nas disputas ideológicas, especialmente em regimes socialistas, observa-se uma tendência ao totalitarismo.

Na atual geopolítica, uma Guerra Fria silenciosa se desenrola nos bastidores. Prova disso: horas antes da captura de Maduro, representantes chineses negociavam alianças em seu quartel-general. A operação, realizada bem debaixo do nariz dos chineses, representou um golpe duro para Pequim e um recado claro de Washington sobre quem domina a região.

Nesse jogo de poder global, não há heróis ou inocentes – apenas interesses em disputa. Donald Trump não é o salvador do planeta, mas um negociador que fortalece seu país.

Aqueles que depositam esperanças em Xi Jinping e Vladimir Putin para um comunismo global como solução caem num abismo, iludidos por uma rede inexistente. A história mostra que o romantismo comunista dura até a tomada do poder; depois vem a cooptação das instituições, o estado autoritário, a perpetuação no comando, corrupção e miséria para as massas.

Por mais cruel que pareça o capitalismo, nenhum modelo melhor foi testado até hoje.

Em As Seis Lições, Ludwig von Mises explica que, há mais de dois séculos, antes do capitalismo, o status social era fixo: herdado dos ancestrais, imutável da nascença à morte. Um pobre permanecia pobre para sempre; um rico mantinha seu título e bens vitaliciamente (p. 36).

No capitalismo, um empreendedor altruísta beneficia a sociedade. Mesmo com figuras como Trump ou Biden, a alternância democrática corrige excessos.

Quanto a líderes como Maduro, uma metáfora greco-romana se aplica: no Império Romano, o tirano Dionísio II convidou o bajulador Dâmocles a um banquete luxuoso, mas suspendeu uma espada sobre sua cabeça, presa por um único fio de crina de cavalo. Esse fio, frágil, um dia se rompe – e a tragédia se consuma.

Ninguém reina eternamente. Até o mal tem fim. Maduro chega ao seu, como tantos ditadores antes dele – possivelmente traído por bajuladores. De qualquer forma, o conselho bíblico permanece sábio: “É melhor buscar refúgio no Senhor do que confiar nos homens; melhor confiar no Senhor do que em príncipes” (Salmo 118:8-9).

Lembremo-nos: somos ocidentais. Nossa liberdade, progresso, resiliência, altruísmo e fé são o que povos oprimidos por regimes totalitários anseiam. Valorize o que tem e suporte desafetos para que ninguém lhe tire a coroa. Fuja de utopias e trabalhe duro — uma hora as coisas se ajustam.

*Célio Barcellos é teólogo e jornalista freelancer[email protected]



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