Como curtir o Carnaval sem descuidar da saúde
06 de fevereiro de 2026Da ausência de alimentação ao consumo excessivo de álcool, especialistas alertam para riscos comuns e orientam foliões para o período de festividades
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Fevereiro é, historicamente, um mês de muita energia para os brasileiros. É o período de Carnaval, com blocos cheios, longas horas em pé, sol forte, noites mal dormidas e consumo elevado de álcool. Esta tende a ser uma rotina de milhões de brasileiros que gostam e comemoram o feriado. Mas, junto com a alegria da festa, surgem também riscos à saúde que muitas vezes são negligenciados pelos foliões. Hidratação inadequada, alimentação irregular, falta de proteção solar e excesso de cansaço estão entre os principais fatores que levam a atendimentos médicos nesse período.
De acordo com dados da Prefeitura do Rio de Janeiro, referência nacional em operações de saúde durante o Carnaval, 3.197 ocorrências (um aumento de 119% comparado ao ano de 2024) foram atendidas entre os dias de Carnaval em 2025, principalmente com casos de mal-estar, desidratação, intoxicação alcoólica, quedas e pequenos traumas. Também no ano passado, foram contabilizados 3.939 atendimentos nos blocos de rua e no Sambódromo durante os dias oficiais de folia, segundo a Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro.
Para ajudar os foliões a curtirem sem comprometer o bem-estar, docentes da Estácio no Espírito Santo reforçam cuidados simples, mas essenciais. Segundo a professora Vanesa Teixeira, coordenadora do curso de Enfermagem do Centro Universitário Estácio de Vitória, muitos problemas poderiam ser evitados com atitudes básicas. “As pessoas costumam esquecer de beber água, se alimentam mal, abusam do álcool e ficam expostas ao sol por longos períodos. Isso pode levar à desidratação, insolação e até quadros de gastroenterite, causados por alimentos contaminados”, explica.
Outro ponto de atenção durante o Carnaval é o aumento da exposição às infecções sexualmente transmissíveis (ISTs). Vanesa destaca que relações sexuais sem preservativo se tornam mais frequentes nesse período. “No Espírito Santo, observamos uma crescente significativa nos casos de sífilis, segundo dados da Secretaria Estadual de Saúde. O uso do preservativo, masculino ou feminino, continua sendo a principal forma de prevenção e vale lembrar que nunca devem ser utilizados ao mesmo tempo em uma relação íntima”, reforça. A recomendação é que, após o Carnaval, quem teve relações sem camisinha procure uma unidade de saúde para realizar testes rápidos.
O consumo excessivo de álcool também merece cuidado redobrado. Além de contribuir para a desidratação, ele pode mascarar sinais importantes de problemas de saúde. Sintomas como tontura persistente, confusão mental, desmaios, vômitos, dor no peito ou convulsões exigem atenção imediata e avaliação profissional, segundo Vanesa.
Sob o ponto de vista físico, o Carnaval funciona quase como uma maratona. A professora Roberta Rica, docente de Educação Física da Estácio, explica que o impacto no corpo depende muito do condicionamento físico de cada pessoa. “São horas caminhando, dançando e ficando em pé, muitas vezes em horários em que o corpo estaria acostumado a descansar. Isso gera desgaste físico, dores musculares e fadiga, principalmente para quem não tem preparo”, afirma.
Ela lembra ainda que bebidas alcoólicas, apesar de refrescantes, não hidratam. “A cerveja não substitui a água. O ideal é intercalar: um drink, um copo d’água, uma cerveja, um copo d’água. Hoje existem bolsas, mochilas e garrafas térmicas que facilitam andarmos com nossa água sempre gelada, porque sair do bloco para se hidratar muitas vezes não acontece”, orienta.
O que fazer em casos de mal-estar e acidentes leves
Professora de Ed. Física da Estácio, Roberta Rica – Foto: Divulgação
A especialista Vanesa Teixeira ensina como prestar os primeiros cuidados básicos em momentos de necessidade. “Em situações de mal-estar, o primeiro passo é levar a pessoa para um local com sombra e oferecer água, desde que ela esteja consciente. Em casos de desmaio ou sonolência excessiva, não se deve oferecer líquidos ou alimentos. A recomendação é deitar a pessoa, evitar aglomerações ao redor e acionar ajuda profissional o quanto antes. Pequenos cortes e escoriações, comuns em ambientes com muita gente, devem ser lavados com água, mantidos limpos e cobertos com um material limpo. Dependendo da gravidade, é importante procurar uma unidade de saúde para avaliação e possíveis intervenções”.
Prevenção é a chave para aproveitar todos os dias de festa
Foto: Divulgação
Para aproveitar vários dias de festa com segurança, Roberta Rica dá dicas salvadoras. “Beber bastante água, intercalar álcool com hidratação, não pular refeições, usar protetor solar, roupas e calçados confortáveis, além de planejar pausas para descanso. Conhecer os pontos de atendimento médico próximos aos locais de festa também faz toda a diferença em uma emergência”, destaca. “Após o Carnaval, vale lembrar que o corpo pede recuperação. Então não é só dormir, é um repouso, é o sono adequado e o retorno gradual à rotina que vão ajudar a reduzir dores musculares e a restabelecer o equilíbrio físico”, finaliza a professora.