Bolsonaro convoca atos nos EUA e na Europa pela anistia de presos do 8 de Janeiro
15 de março de 2025No Brasil, manifestação para pressionar Congresso por aprovação da anistia será no domingo (16), no Rio de Janeiro (RJ)
'Pela anistia dos nossos irmãos aqui no Brasil', declara Bolsonaro – Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) usou as redes sociais nesta sexta-feira (14) para convocar apoiadores a atos neste sábado (15) em países da Europa e cidades dos Estados Unidos pela aprovação da anistia aos condenados pelos ataques do 8 de Janeiro, em 2023. Aqui no Brasil, a manifestação com presença de Bolsonaro está marcada para domingo (16), na Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro. O objetivo é pressionar o Congresso Nacional pela aprovação do projeto que concede anistia aos envolvidos nos atos extremistas.
Segundo o ex-presidente, há marchas previstas para Roma (Itália), Zurique (Suíça), Londres (Reino Unido), Barcelona (Espanha), Orlando (EUA), Flórida (EUA), Washington (EUA) e Nova York (EUA). “Pela anistia dos nossos irmãos aqui no Brasil”, declarou Bolsonaro, em vídeo.
A proposta que livra os condenados pelo 8 de Janeiro tramita na Câmara dos Deputados em uma comissão especial, mas sem qualquer perspectiva de data para ser apreciada. A oposição alega ter votos para aprovar o texto, mas ainda precisa de conjuntura e vontade política para isso.
Desse modo, segundo relataram parlamentares à reportagem, as manifestações nas ruas poderiam “acelerar” a tramitação da proposta.
PL da Anistia
Conforme mostrou o R7, a proposta de anistia aos presos do 8 de Janeiro pode ter uma versão mais “branda” a fim de ganhar celeridade e votos na Câmara. Deputados de oposição avaliam uma anistia parcial aos condenados pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Na visão dos parlamentares, isso tornaria o texto menos radical. Ao todo, os condenados pelo 8 de Janeiro foram enquadrados em cinco crimes: tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado, associação criminosa e deterioração de patrimônio público.
Segundo o STF, a maioria dos condenados teve as ações classificadas como graves. As penas para esses réus variam de três anos a 17 anos e seis meses de prisão.
A anistia estudada, em vez de total, perdoaria os crimes de tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado e associação criminosa. A oposição acredita que tais condenações são injustas, pois considera que os atos não foram uma tentativa de golpe de Estado.
Assim, as penas poderiam ser reduzidas e enquadradas apenas em dano qualificado e deterioração de patrimônio. Os condenados pelos atos extremistas então poderiam cumprir as penas em regime semiaberto.
O relator da proposta, o deputado federal Rodrigo Valadares (União-SE), deve ser mantido, o que para a oposição indica que o apoio do União à proposta estaria “garantido”.
Em 2024, Valadares foi designado como relator do projeto na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara, mas antes que o texto pudesse ser votado no colegiado, o então presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL), retirou a matéria da comissão e criou um grupo especial para analisar o mérito.
(Fonte: R7)