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Aquicultura do Espírito Santo aposta no cultivo de camarão gigante em água doce

07 de fevereiro de 2026

Aquicultura do Espírito Santo aposta no cultivo de camarão gigante em água doceFoto: Divulgação

Quando se fala em aquicultura no Espírito Santo, a imagem mais comum costuma ser a de peixes cultivados em tanques ou barragens. Mas a realidade capixaba guarda uma curiosidade pouco conhecida: o cultivo do camarão-gigante-da-Malásia, uma das maiores espécies de camarão de água doce do mundo, criada em viveiros afastados do mar e bem adaptada ao ambiente rural.

Em 2024, a produção estadual dessa espécie somou 11,35 toneladas, distribuídas em poucos, porém estratégicos municípios, o que evidencia um arranjo produtivo ainda concentrado, mas com potencial de diversificação e expansão dentro da aquicultura capixaba.

O município de Governador Lindenberg lidera com ampla folga, respondendo por 7,5 mil quilos, o equivalente a 66,1% de toda a produção estadual. Na sequência aparece Ibiraçu, com 2,95 mil quilos (26,0%), consolidando-se como o segundo principal polo produtor. Alfredo Chaves e Marilândia completam o mapa produtivo, com 500 quilos (4,4%) e 400 quilos (3,5%), respectivamente.

Para o secretário de Estado da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca, Enio Bergoli, o cultivo do camarão-gigante-da-Malásia representa uma alternativa estratégica para o fortalecimento da aquicultura no meio rural.

“Trata-se de uma atividade que diversifica a renda do produtor, aproveita bem a água doce e amplia as oportunidades no campo, especialmente para pequenos e médios produtores. É um exemplo claro de como a inovação pode agregar valor e gerar desenvolvimento no interior do Estado”, destacou.

Camarão-gigante-da-Malásia

O camarão-gigante-da-Malásia (Macrobrachium rosenbergii) chama atenção não apenas pelo local onde é produzido, mas também por suas características biológicas. Diferentemente dos camarões marinhos, a fase de engorda ocorre em água doce, embora o desenvolvimento larval dependa de água salobra. A espécie pode ultrapassar 30 centímetros de comprimento, destacando-se pelo porte elevado entre os camarões de água doce cultivados e pelo bom rendimento de carne, atributo que confere valor gastronômico e atratividade para mercados especializados e para o consumo regional.

Outro diferencial é a boa adaptação a sistemas de viveiros escavados, o que permite integrar o cultivo a propriedades rurais já consolidadas e ampliar as possibilidades de geração de renda. O crescimento relativamente rápido e a aceitação culinária reforçam o interesse pela espécie como alternativa produtiva dentro da aquicultura estadual.

De acordo com a engenheira de pesca da Seag, Naessa Martins, apesar do potencial, o cultivo exige atenção técnica.

“O acompanhamento contínuo é importante, desde a implantação do sistema até a despesca. A qualificação do produtor é fundamental para a adoção de boas práticas de manejo, redução de perdas, melhoria do desempenho produtivo e correta manipulação do alimento no pós-despesca”, explicou.

Ainda restrita a poucos municípios, a produção do camarão-gigante-da-Malásia mostra que a aquicultura capixaba vai além do óbvio. Longe do mar, em áreas rurais do Espírito Santo, cresce um crustáceo que simboliza inovação produtiva, diversificação econômica e novas oportunidades para o campo.



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