Apesar de queda no desemprego e avanço na formalização, a permanência no primeiro emprego é o principal desafio da juventude no Brasil
26 de junho de 2026Em coletiva de imprensa realizada no Teatro CIEE, em São Paulo, o Ministério do Trabalho e Emprego apresentou de forma inédita um raio-X detalhado sobre os 32,9 milhões de jovens brasileiros no 1º trimestre de 2026
Paula Montagner, o diretor do Departamento de Políticas de Trabalho para a Juventude do MTE João Victor Motta, e Rodrigo Dib, superintendente institucional do CIEE – Foto: Hernan Muttoni
O Centro de Integração Empresa-Escola - CIEE recebeu, nesta quinta-feira (25), o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), por meio da Secretaria de Estatísticas e Estudos do Trabalho (SEET), em uma coletiva de imprensa para a apresentação do diagnóstico em números "Os jovens no Brasil: Permanências e necessidades de mudança". Baseado nos dados da PNAD Contínua do 1º trimestre de 2026, o estudo revela um mercado de trabalho mais formal e com desemprego em queda, mas acende o alerta para a alta rotatividade profissional e a exclusão social de milhões de jovens.
Paula Montagner, subsecretária de Estatísticas e Estudos do Trabalho, realizou a apresentação dos dados, que expuseram onde estão inseridos os 32,9 milhões de jovens entre 14 a 24 anos (15,4% da população do país). A divisão desse contingente revela que a aposta na educação continua sendo a regra:
- Só estudam: 12,8 milhões (39%).
- Só trabalham: 9,6 milhões (29,1%).
- Estudam e trabalham: 4,3 milhões (13,2%).
- Não estudam nem trabalham ("Nem-Nem"): 6,2 milhões (18,7%).
Paula Montagner, subsecretária de Estatísticas e Estudos do Trabalho, realizou a apresentação dos dados – Foto: Hernan Muttoni
Os números chamam atenção para um alerta social mais grave sobre o grupo dos "nem-nem", que registrou alta sazonal subindo de 5,5 milhões no final de 2025 para 6,2 milhões no 1º trimestre de 2026. O Ministério destaca que este cenário atinge de forma mais severa as mulheres negras e jovens, que majoritariamente precisam abandonar seus estudos e trabalho formal para se dedicar aos cuidados familiares e domésticos.
Outro ponto que o levantamento trouxe foi a barreira do subemprego e salários baixos. O diagnóstico aponta que 84% dos jovens atuam em funções generalistas, sem exigência de qualificação específica (como balconistas e escriturários), e a ampla maioria (7,8 milhões) recebe até 1,5 salário mínimo. Apenas 1 em cada 7 jovens inseridos ocupa postos de nível técnico ou superior. Sobre a jornada média do trabalhador adolescente, os números apontaram que é de 27,3 horas semanais - superando em mais de 7 horas o contraturno escolar e disputando diretamente o tempo dedicado aos estudos.
Sobre esses números, Paula comenta: “Essa é uma realidade da nossa sociedade, mas precisamos lutar para que o jovem almeje postos de trabalho maiores e isso exige um esforço individual de uma maior escolaridade, mas também de uma sociedade que precisa entender que o jovem tem que chegar lá e facilitar a vida dele para isso e não criar empecilhos”.
O total de jovens ocupados chegou a 13,9 milhões, superando o nível pré-pandemia (2019) em 569 mil pessoas. A taxa de desemprego jovem também caiu pela metade desde o pico de 2021 e atualmente está em 13,8% para a faixa de 18 a 24 anos e 25,1% para adolescentes de 14 a 17 anos - ainda assim, o índice dos jovens é 2,4 vezes maior que a média nacional (5,8%). Somado a isso, 57,8% dos jovens ocupados possuem vínculo formal de trabalho (carteira assinada), somando 8 milhões de pessoas. A informalidade recuou para 39,4% entre jovens de 18 a 24 anos, embora ainda atinja 72,8% dos adolescentes de 14 a 17 anos.
Apesar dos avanços na contratação, o diagnóstico joga luz sobre as dificuldades de ascensão e permanência do jovem no mercado: 52% dos adolescentes (14-17 anos) e 38,2% dos jovens (18-24 anos) permanecem menos de um ano no mesmo trabalho.
Por fim, o relatório do MTE detalha os desafios e caminhos para uma melhor integração entre o ambiente escolar e o corporativo: elevar a escolaridade e combater a evasão com programas como o Pé-de-Meia e EJA profissionalizante, focar no público "Nem-Nem", desenhando capacitações específicas em EAD voltadas para meninos e jovens mães, interiorizar as vagas de Aprendizagem para o Norte e Nordeste, onde a população é proporcionalmente mais jovem e vulnerável e promover o letramento digital e de IA, preparando a juventude para ocupações de maior densidade tecnológica e melhores salários.
Para Rodrigo Dib, superintendente Institucional do CIEE, a exposição dos dados no palco do CIEE reforça o papel da instituição como ponte integradora entre trabalho e estudo: “A divulgação desse panorama inédito reforça a relevância da nossa atuação institucional. Mais do que gerar oportunidades, nosso papel é subsidiar o mercado com inteligência e conhecimento para impulsionar a empregabilidade jovem”.